3 dicas (rápidas) de segurança na internet para jornalistas

O jornalismo é sobre lidar com informação, e toda informação precisa estar segura. Especialmente se você é um jornalista que lida com grandes bases de dados, informações privilegiadas, contatos offs e histórias de gente. Em uma conversa com Renan da Silva, especialista em TI e viciado em segurança digital, ele separou 3 dicas para manter todos os seus dados seguros.

Acessos: tudo o que você precisa saber sobre suas senhas

Senhas são parte essencial na linha de defesa da nossa segurança digital, por isso é importante usar senhas diferentes para cada acesso que você irá fazer. Renan explica que isso evitará outras invasões caso uma senha que você usou em um site de compras seja comprometida, e não causará impacto no seu e-mail, por exemplo. Já pensou se todos os seus dados da nuvem estiverem expostos? Ou os e-mails que você está trocando sobre uma história quente vaza? Por isso é importante pensar senhas diferentes. 

Para isso, ele indica o uso de um gerenciador de senhas como KeePassX, LastPass e 1Password. Esses gerenciadores servem para guardar senhas complexas e únicas para cada acesso. Com alguma dessas ferramentas, você precisará apenas lembrar de uma senha mestre para acessar seu banco de senhas. 

Ainda sobre acessos, você também deve ativar a autenticação de dois fatores sempre que possível. O Facebook, Twitter e Google possuem isso lá nas configurações de segurança, por exemplo. Esse modelo de segurança adiciona uma camada extra de proteção, fazendo com que toda vez que você for acessar um serviço em computadores que não o seu, ele irá solicitar um código gerado por aplicativo recebido por e-mail ou via SMS.  

Você pode verificar nesta lista online se um serviço possui suporte a essa funcionalidade e como ativar ela usando aplicativos como Authy e Google Authenticator.

E atenção: essas dicas de senhas também valem para dispositivos como celulares e tablets, porque são mais expostos a riscos por serem móveis. No caso dos celulares, também é importante ter um código PIN seguro no chip da operadora.

Garanta a integridade e segurança dos seus dados com backups e criptografia

O backup nada mais é do que uma cópia reserva em caso de falhas, perdas ou sequestros de dados. O ideal é seguir a regra 3-2-1 e fazer três cópias dos seus dados: duas distribuídas em mídias diferentes e ainda uma cópia física.

Você consegue fazer a cópia física num HD externo de alta capacidade, ou em um pen drive. Para cópias online, recomendamos o armazenamento de dados na nuvem (com preços acessíveis), como BackBlaze ou Google Drive. E, claro, uma cópia offline em seu computador.

Além de garantir cópias reservas, você deve sempre criptografar dados sensíveis e sigilosos.  A criptografia é uma forma de cifragem de dados, tornando eles incompreensíveis sem uma chave de acesso. Imagine que você perdeu o cartão SD de seu celular ou da sua câmera. Se esse cartão não estiver criptografado, uma pessoa pode facilmente ler ele e ter acesso às suas fotos e dados. Já pensou se a sua lista de fontes vazar? Ou suas fotos? A criptografia garante que esses dados sejam ininteligíveis para pessoas que não tenham a chave de acesso.

Computadores com macOS e celulares iOS e Android possuem ferramentas de criptografia que podem ser ativados com facilidade. Para Windows, você pode utilizar as ferramentas VeraCrypt e Cryptomator

A criptografia é importante para comunicação e acesso seguro a internet

Ferramentas de comunicação devem criptografar as conversas de uma ponta a outra, evitando que mesmo que sejam interceptadas, se mantenham ininteligíveis para o interceptador. É como estar em uma sala cheia de pessoas em que apenas você e seu amigo falam uma língua criada por vocês dois. As outras pessoas podem até escutar a conversa, mas jamais saberão do que vocês estão falando. Ferramentas como Signal para mensagens instantâneas e o ProtonMail para e-mails, são gratuitas e possuem criptografia de ponta-a-ponta.

Também fique atento aos sites que você navega, principalmente que envolvam senhas e dados sigiloso. Sites conseguem aumentar o nível de segurança através do protocolo HTTPS, uma vez que os navegadores mais modernos indicam na barra de endereço quando o site está usando esse recurso de forma segura. Uma dica é usar a extensão HTTPS Everywhere disponível para Firefox, Chrome e Opera.

Se por algum motivo você precisar elevar seu nível de privacidade enquanto navega pela internet, você pode usar serviços de VPN como ExpressVPN para rotear seu tráfego para outros locais do mundo ou ainda o navegador Tor, que permite navegar de forma anônima acessando uma rede privada mantida por voluntários.

Vamos por em prática?

Todas as ferramentas descritas brevemente aqui são tão seguras quanto o elo mais fraco da sua utilização – o fator humano. Estar atento 100% do tempo no meio digital é a ferramenta de proteção mais necessária hoje em dia, explica Renan. Pesquise, leia e entenda  sobre aplicações ou serviços usados por você. Sempre questione e desconfie de comunicações suspeitas e em caso de dúvidas, confira os links que colocamos no fim deste texto:

O Guia de Segurança para Jornalistas criado pela RSF (Repórteres sem Fronteiras), em parceria com a UNESCO, possui uma seção exclusiva sobre segurança digital. Disponível em Inglês, Francês, Espanhol e Árabe.

Surveillance Self-Defense (SSD), ou “Autodefesa Contra Vigilância”, é um guia criado pela EFF sobre proteção contra vigilância eletrônica. Disponível em diversas línguas, incluindo Português.

Security in-a-Box, ou “Segurança em uma caixa” é um guia de segurança digital destinado a ativistas e pessoas defensoras dos direitos humanos. Ele foi desenvolvido conjuntamente pela ONG Front Line Defenders e Tactical Technology Collective, junto a uma rede internacional de ativistas, facilitadores e especialistas em segurança digital. Disponível em diversas línguas, incluindo Português.

Bruna Teixeira
Apaixonada por jornalismo, acredita na profissão como uma ferramenta de transformação social e pessoal. Entusiasta do jornalismo digital e com vivência em marketing digital, Bruna já passou pela redação da BandNews FM, Rede Massa, e também pela Gazeta do Povo – onde contribuiu para a apuração da série “Crime Sem Castigo”, vencedora do Esso em 2013. Fale com ela pelo [email protected]