Primeiros Passos #018 – Leandro Demori

Leandro Demori começou a carreira de forma inusitada, ainda na adolescência.  Por influência do tio radialista e empreendedor, criou o jornal “Botequim”, que consistia em 500 cópias de uma folha A3 preenchida na frente e no verso com notícias e fofocas da sua cidade, São Miguel do Oeste (SC), além de piadas da internet. Nas margens, anúncios de comerciantes locais.

“Distribuía em bares e restaurantes. As pessoas ficavam lendo enquanto esperavam chegar a pizza. Nunca ganhei tanto dinheiro na vida, proporcionalmente”.

E dessa experiência acabou sendo contratado pelo jornal da cidade. E depois foi estudar jornalismo em Porto Alegre, mas na maior parte da sua carreira, seu o espírito independente e empreendedor falou mais alto.

Tanto que uma das suas principais reportagens não foi publicada em nenhum veículo de comunicação, mas sim no Medium, e bancada com financiamento coletivo. A história da possível fraude que seria cometida pelos italianos que construiriam o trem-bala brasileiro, entre Rio e São Paulo, começou com uma notinha de jornal que despertou sua curiosidade.

“Vi uma nota de que uma empresa italiana tinha congelado as contas da embaixada brasileira em Roma e do consulado em Milão porque o Brasil estava devendo uma conta a essa empresa. Só não se pode congelar as contas de uma representação diplomática. Aí eu vi que decisão foi de um juiz de primeiro grau, de uma cidadezinha, a história ficou mais estranha. E aí descobri que era por conta dos estudos para a construção do trem bala, aí fui atrás. Acabei descobrindo que a empresa que seria contratada pelo governo era de uns picaretas de mão cheia. “.

Hoje editor-executivo do The Intercept Brasil, Demori fala dos planos do site para a cobertura eleitoral.

“Nós queremos no The Intercept Brasil fazer uma cobertura de eleições diferente, focada no poder privado, que é quem corrompe o poder público. No Brasil, não tem tradição de investigar empresas privadas porque são elas que financiam o jornalismo. Não é novidade, nem radicalismo falar isso. Não se fiscaliza o poder privado da mesma forma que se fiscaliza o poder público. O que é um erro estratégico, porque o poder público é um mero operador do poder privado. Isso é um foco de atenção pra gente”.

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É movido pela curiosidade e virou jornalista só para saber das coisas antes dos outros. Adora contar e ouvir histórias e é um entusiasta de podcasts. Trabalhou 12 anos na CBN, onde fez de tudo (mesmo) e foi de estagiário a gerente de jornalismo. É mentor do BRIO, dá aula na PUC e está estudando chinês: já sabe falar 我不会说中文. Mora no Rio e não vê alternativa fora do jornalismo. Fale com ele.