#012 Alexandre de Santi, coragem para empreender

Em 2008, Alexandre de Santi trabalhava na Zero Hora quando decidiu empreender. Ele se deu conta de que trabalhava numa indústria cuja crise ainda iria se aprofundar muito. O New York Times, o jornal mais influente do mundo, corria o risco de fechar e foi salvo apenas graças a uma intervenção do bilionário mexicano Carlos Slim. As coisas indicavam um futuro conturbado para o jornalismo.

“Passei a ler diversos textos de estudiosos e especialistas, que diziam que diante de uma crise profunda, o futuro do jornalismo dependia de uma série de experiências frustradas, que não dariam certo, mas que serviriam de aprendizado para o modelo que superaria o atual”.

De Santi decidiu tentar a sorte por conta própria, certo de que a inovação necessária não surgiria nas empresas tradicionais. Fundou a Cartola e depois a Fronteira, um estúdio de produção jornalística.

“Eu não sei o que vai acontecer no jornalismo, mas sei que eu não vou me preparar para o futuro numa redação tradicional. Então pensei que era melhor estar lá fora, empreendendo, participando do que pode ser o futuro. Troquei a insegurança de ficar numa indústria em crise pela insegurança de me lançar no abismo”.

Dez anos depois da mudança na carreira, ele admite que talvez tenha sido excessivamente otimista, mas não se arrepende.

“A situação do jornalismo digital segue completamente indefinida. Talvez não tenha sido a melhor decisão financeira (sair da redação). Já tivemos momentos financeiros ótimos, mas é um mercado difícil. Mas do ponto de vista de qualidade do material, para a minha carreira, tenho certeza que foi ótimo. Trabalhei com coisas que jamais teria feito em redações”.

Reportagens citadas

Si nao aprovas nao a condenaçao

Um trem para Bangladânia

Atolados em terra de sangue

A chave do casarão

Rei do Mato

Texto citado

Newspapers and Thinking the Unthinkable

Assine (de graça) no seu aplicativo de podcast preferido:

AnchorApple PodcastsCastBoxDeezer iHeartRadioOvercastPlayerFMPodTailTuneInRadioPublicSoundCloudStitcher RSS

 

É movido pela curiosidade e virou jornalista só para saber das coisas antes dos outros. Adora contar e ouvir histórias e é um entusiasta de podcasts. Trabalhou 12 anos na CBN, onde fez de tudo (mesmo) e foi de estagiário a gerente de jornalismo. É mentor do BRIO, dá aula na PUC e está estudando chinês: já sabe falar 我不会说中文. Mora no Rio e não vê alternativa fora do jornalismo. Fale com ele.