#011 Claudio Angelo, a necessidade de saber ler pessoas

Claudio Angelo, como muitos de nós, jornalistas, escolheu a profissão porque gostava de escrever, mas percebeu bem cedo que precisaria desenvolver outras habilidades além da escrita se quisesse ter sucesso.

A principal delas? A de se relacionar com outras pessoas. Em outras palavras, a capacidade de convencer alguém a te dar uma informação. Algo que não se ensina em nenhum curso de jornalismo e que para ele é um desafio diário.

“Você não está em nada preparado para lidar com o mundo real. Não sei é a faculdade de jornalismo que tem de te ensinar a lidar com o mundo real”, afirma.

Nessa entrevista, Claudio fala como fez para desenvolver a sua capacidade de ler outras pessoas e lembra de quando essa habilidade foi necessária em alguns momentos importantes. E admite também quando falhou.

“O pior erro que eu cometi foi de leitura de pessoas. Fui cobrir a cúpula da ONU sobre o meio ambiente na África do Sul, em 2002. Hesitei por uma fração de segundos se entrava ou não no elevador com (ditador do Zimbábue) Robert Mugabe. Fechou a porta e eu fiquei sem a entrevista. Eu deveria ter assumido o risco de tomar um safanão do segurança”.

Para Claudio Angelo, o jornalista dos novos tempos deve dominar as tecnologias que mudaram definitivamente a profissão, sem esquecer três coisas fundamentais: encontrar as informações, conectá-las e contar uma história.

“Pode ser que isso mude, mas ainda somos insubstituíveis para contar uma história. As máquinas ainda não conseguem ler pessoas e contar uma história a partir dessa leitura, do contexto, da conexões culturais. A forma muda, as plataformas mudam, mas a essência é essa e acho que vai continuar sendo”.

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É movido pela curiosidade e virou jornalista só para saber das coisas antes dos outros. Adora contar e ouvir histórias e é um entusiasta de podcasts. Trabalhou 12 anos na CBN, onde fez de tudo (mesmo) e foi de estagiário a gerente de jornalismo. É mentor do BRIO, dá aula na PUC e está estudando chinês: já sabe falar 我不会说中文. Mora no Rio e não vê alternativa fora do jornalismo. Fale com ele.