#007 Mauro Cezar, jornalismo crítico e bem fundamentado no esporte

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Este episódio:

Mauro Cezar Pereira é comentarista esportivo da ESPN Brasil e conhecido pelo posicionamento crítico, pelo comentário ácido, mas bem fundamentado, embora nem sempre compreendido pelo torcedor, no ambiente passional do esporte.

Nessa entrevista, ele fala do início da carreira, das diversas experiências profissionais, em meios diferentes, cobrindo assuntos variados, como economia, carros e até o mercado de plásticos reforçados. “Eu não trocaria a experiência que eu tive em outras áreas por cobrir in loco mais duas Copas do Mundo. Ajudou muito na minha formação profissional, me deu versatilidade, abriu o mercado de trabalho”.

Mesmo tendo a maior parte da carreira ligada ao esporte, Mauro rejeita o rótulo de jornalista esportivo. “Eu sou jornalista e ponto. Momentaneamente trabalho com esportes, mas posso trabalhar em qualquer outra área. Esse rótulo limita, eu sempre fugi dele”.

Mauro Cezar sugere aos que estão começando hoje que busquem também a diversidade de experiências. “Quem está começando tem de pegar o que aparecer, encarar e mostrar para ele mesmo que ele é capaz de escrever sobre qualquer coisa. Usar o mercado conforme ele se abrir para você e não ficar esperando oportunidades que talvez nunca apareçam”.

E também lembra que o trabalho de reportagem é a base do jornalismo, onde qualquer carreira começa: “O mercado está num momento de transformação. O mais importante hoje para quem quer ser jornalista é procurar o caminho da reportagem, que está sendo deixado de lado. Muita gente procura a profissão para ser comentarista, analista, influenciador… Mas tudo passa pela reportagem, é a base da profissão”.

Principal cobertura: a Copa de 2014

“Tenho uma postura muito crítica. Os problemas que eu apontava na seleção desde a Copa das Confederações de 2013 e durante a Copa de 2014 me custaram caro, com agressões e ofensas nas redes sociais”, lembra Mauro, que manteve o tom mesmo com a equipe alcançando as semifinais. “Ninguém imaginava que a pancada seria tão contundente. No intervalo do jogo, estava 5 a 0 já, eu abri o Twitter e havia mais de 1500 menções, várias pessoas se desculpando”.

Pior erro: perder entrevista por excesso de zelo

“Uma vez numa viagem, eu cobrindo Libertadores, na volta para o Brasil, eu cruzei com o Telê Santana. Ele comentava para o SBT, estávamos no aeroporto, no Equador. O Telê estava ali parado, sentado, sem fazer nada. Pensei em falar com ele, mas não quis incomodá-lo. Fui educado demais. De volta para o Brasil, dois dias depois, tinha uma ótima entrevista com ele num jornal concorrente, ele falou várias coisas interessantes. Eu hesitei. E a lição é não deixar de perguntar. Ser chato. Se o cara não quiser falar na hora, tentar na semana seguinte, pedir para conversar outro dia”.

É movido pela curiosidade e virou jornalista só para saber das coisas antes dos outros. Adora contar e ouvir histórias e é um entusiasta de podcasts. Trabalhou 12 anos na CBN, onde fez de tudo (mesmo) e foi de estagiário a gerente de jornalismo. É mentor do BRIO, dá aula na PUC e está estudando chinês: já sabe falar 我不会说中文. Mora no Rio e não vê alternativa fora do jornalismo. Fale com ele.