#006 Yan Boechat, o correspondente de guerra

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Este episódio:

Yan Boechat se tornou jornalista para viajar o mundo, mas ralou um bocado antes de poder se aventurar.

Nessa entrevista, ele conta como começou na carreira, na editoria de polícia de um jornal de Santa Catarina, a mudança para São Paulo, até resolver se tornar correspondente internacional.

Depois de algum tempo como repórter e editor, principalmente cobrindo economia e política, Yan optou por se recolocar no mercado como freelancer, mas precisou se preparar. “Meu inglês era muito ruim”, admite Yan, que passou um ano no Canadá estudando. “Trabalhei lá como faxineiro, mas eu dizia que era na cleaning industry”.

Em 2003, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, ele tentou entrar no país, mas não conseguiu. Acabou no Afeganistão, onde fez a sua primeira cobertura internacional, mas só a partir de 2013 passou a se dedicar exclusivamente às viagens jornalísticas.

“Eu pedi demissão, e tô viajando, perdendo dinheiro, mas feliz. As viagens são lucrativas, mas o momento no Brasil, de preparação, são difíceis”, diz Yan, que nos últimos tempos tem visto a sorte virar, fechando acordos com Folha e Band.

Na entrevista, ele conta bastidores de coberturas em zonas de guerra, como no Afeganistão, no Iraque e na Faixa de Gaza. “Você como repórter quer fazer o melhor, eu escrevo para mim, não é para a Folha, ou para a Bandeirantes. E nisso eu acabo investindo mais (do que eu precisaria) para fazer o melhor”.

Yan lamenta o pouco investimento em reportagem in loco, não só na cobertura internacional, mas também nas locais. “Hoje a gente tem uma geração de repórter de agência de notícia, o que é deprimente. Repórter de Facebook, repórter de Google. A gente não conhece a vida a três quarteirões da onde a gente mora. Fica todo mundo dentro da redação ouvindo porta-voz falar. É ruim, é ruim para a democracia, é ruim para tudo. Nada supera você cheirar o lugar, sentir o calor, falar com as pessoas”.

Reportagem citada

A Primavera na Sombra

É movido pela curiosidade e virou jornalista só para saber das coisas antes dos outros. Adora contar e ouvir histórias e é um entusiasta de podcasts. Trabalhou 12 anos na CBN, onde fez de tudo (mesmo) e foi de estagiário a gerente de jornalismo. É mentor do BRIO, dá aula na PUC e está estudando chinês: já sabe falar 我不会说中文. Mora no Rio e não vê alternativa fora do jornalismo. Fale com ele.