BRIO Escavadores – Um projeto para descobrir o Brasil que nos governa

Daqui a menos de três meses elegeremos não apenas o próximo presidente da República. Teremos mais uma oportunidade para escolher bem 27 governadores, 54 senadores e 513 deputados federais, além de centenas de outros deputados estaduais. Agora pense no número de candidatos a esses postos. Só para os cargos de governador e senador, os “mais nobres” além do(a) presidente, considere ao menos 320 candidatos competitivos em todo o país. Trezentos e vinte, fora os candidatos a presidir o país pelos próximos quatro anos.

O jornalismo terá, como sempre, o papel fundamental de mostrar quem de fato são essas pessoas. Mas existe algum veículo de alcance nacional capaz de (e interessado em) fazer esse acompanhamento de forma plena? Certamente não, ainda mais se levarmos em conta o quadro de crise financeira. É certo que farão isso em relação a alguns dos candidatos a presidente e aos pretendentes a governador nos Estados mais economicamente relevantes. Mas o resto caberá a um pulverizado, enfraquecido conjunto de veículos regionais e locais, que não conversam entre si, que não colaboram e que muitas vezes são controlados economicamente por parte desses candidatos.

O BRIO, seguindo no seu propósito de fazer jornalistas se apaixonarem (ou se reapaixonarem) pelo processo de buscar informação e contar histórias ao público, vai tomar coragem para preencher essa ausência de braços. Vamos ativar uma rede adormecida de jornalistas cheios de gás de todo o país para levantar informações que coloquem em xeque a imagem que candidatos aos principais cargos da República buscam passar para o eleitorado.

Vamos atrás do político carismático que bate na mulher, vamos buscar o registro da fazenda mantida secretamente pelo candidato que se declara com patrimônio classe média, vamos em busca de quem sonega imposto, vamos aos registros cartoriais de empresas registradas em nome de parentes para ocultar patrimônio, vamos escavar para descobrir o Brasil escondido por trás de promessas bonitas e discursos moralistas.

Serão dois meses intensos,  a serem iniciados, se tudo der certo, no dia 16 de agosto – um dia depois do prazo final para registro das candidaturas.

Nós vamos investigar, vamos desenvolver o maravilhoso trabalho de buscar informação. E quando digo “nós”, estou falando de uma rede formada por quantos jornalistas quiserem participar, em todo o Brasil e mesmo a partir de outros países. O que importa é estar interessado em contribuir com essa expedição em busca de informações que essas centenas de candidatos gostariam que seguissem enterradas. Não importa se você é estudante, jornalista iniciante, jornalista premiado, se está empregado, se está desempregado… Você poderá contribuir anonimamente, caso queira. Às vezes uma dica já é capaz de gerar algo espetacular. Se você não tem experiência ou fontes, isso também não é relevante.

Esforço inédito

Nós ofereceremos aos escavadores, como já fazemos de certa maneira no BRIO, um treinamento focado em compreender como buscar informações na Justiça, em cartórios, em juntas comerciais, sistemas online, bases de dados públicas, requisitar informações pela Lei de Acesso à Informação…

No mínimo, ao participar, você irá aprender algo que será valioso para a sua carreira no jornalismo. E você ainda estará em contato com colegas de todo o Brasil, por meio de um grupo de WhatsApp exclusivo para os Escavadores. Imagine a infinidade de projetos que poderão surgir a partir dessa experiência inicial. Internamente, consideramos isso um projeto piloto para algo muito maior. Mas isso é papo para outro momento…  

O que estamos nos preparando para executar a partir de agosto será o maior esforço de investigação jornalística já feito no Brasil para um processo eleitoral.

Queremos gente do Rio Grande do Sul ao Amapá, da Paraíba a Rondônia. Gente das capitais e do interior. Queremos dar dor de cabeça para candidatos que têm algo a esconder. Se eles dominam um jornal local, eles certamente não dominarão o BRIO e sua legião de Escavadores.

Já temos um time inicial formado por 91 clientes do BRIO que já se interessaram pela proposta apresentada internamente e pelas condições ali descritas. Mas aqui o céu é o limite. Se tivermos 200, vamos com 200. Se tivermos 1.000, vamos com 1.000. Infiltrados não terão vez. A participação é livre, mas condicionada a uma verificação de integridade de cadastro, do ponto de vista jornalístico.

Os detalhes financeiros do projeto podem ser conferidos nos questionários abaixo. Serão três linhas de remuneração  complementares:

  • documentos relevantes descobertos serão recompensados financeiramente;
  • cobriremos também o custo de aquisição do documento
  • as informações descobertas embasarão reportagens que serão negociadas com um veículo de comunicação parceiro, gerando também a remuneração por freela para o repórter que descobriu a informação.

Ao todo, uma descoberta que resulte em reportagem publicada no veículo parceiro pode te render ao menos R$ 900. A principal delas é que esse projeto ousado só irá acontecer de fato se conseguirmos arrecadar a quantia necessária em uma campanha de crowdfunding no modelo “tudo ou nada”. Ou conseguimos todo o dinheiro necessário ou o Escavadores não acontecerá. De qualquer maneira, também não recusaremos ajuda de fundações ou outras entidades sérias que queiram bancar o projeto, ainda que parcialmente, a partir do que está sendo descrito neste texto.

Além da meta

O orçamento mínimo necessário, em torno de R$ 23 mil, é modesto para a magnitude do projeto. A nossa ideia é não ficar no passo inicial, que seria o financiamento mínimo, mas ultrapassar a meta. Se cada um dos jornalistas participantes conseguir fazer com que três pessoas doem R$ 50, já será suficiente. Mas quanto mais conseguirmos arrecadar, melhor poderemos recompensar os Escavadores e suas descobertas. Todo o excedente será revertido para a remuneração de documentos.  

Antes de começar a campanha de financiamento coletivo, muito em breve, queremos ter uma noção mais precisa de quantas pessoas estariam dispostas a ajudar isso a acontecer. 

Seguem, então, no primeiro comentário do post, dois brevíssimos formulários: um para você que está interessado em participar do projeto; outro para quem está interessado em doar para a campanha, com direito a recompensas.

Clique aqui se você quer participar da rede de Escavadores (se você já respondeu a esse questionário anteriormente, não precisa responder de novo).

Clique aqui se você considera contribuir financeiramente com a campanha.

Breno é o cofundador do BRIO e criador do programa de desenvolvimento jornalístico. É apaixonado por inovação, planejamento, design thinking e suas aplicações no jornalismo. Trabalhou por seis anos na Folha de S.Paulo, cobrindo política, administração pública e fazendo investigação. Vive em Florianópolis e quer que o jornalismo seja percebido como arte. Fale com ele no [email protected]