9 orientações para entrevistar crianças e adolescentes

Para entrevistar crianças e adolescentes, o jornalista não precisa estar apenas bem preparado. É necessário também ter sensibilidade e prestar atenção, não apenas na fala mas também na expressão corporal. É fundamental ter consciência de que escrever sobre problemas que afetam crianças e adolescentes é essencial para chamar a atenção da sociedade e expandir o debate público.

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) reforça a importância de contextualizar as histórias. Por isso, evite apenas limitar o texto ao acontecimento relatado. Procure sempre buscar uma solução para o problema. E para fomentar o debate de assuntos, o jornalista pode entrevistar crianças e adolescentes que fazem parte do problema. Por isso, separamos algumas dicas.

Anteriormente, o Brio Hunter apresentou 18 orientações de como construir uma boa reportagem que envolve crianças e adolescentes, disponível neste link. Agora, elencamos orientações da Andi para quem vai entrevistar crianças e adolescentes:

1. Responsáveis pelas crianças e adolescentes devem saber que eles estão sendo entrevistados. É importante que o/a jornalista explique a pauta e como a entrevista será utilizada. É essencial que eles compreendam a razão da entrevista e para que o material será utilizado.

2. Toda criança e adolescente tem direito a privacidade, ao sigilo e a participar em decisões que afetam à proteção de situações de injúria e represália. Lembre-se disso na hora de entrevistá-las e escrever sobre elas.

3. Deixe a criança à vontade. É importante que a conversa não pressione o/a entrevistado/a. Certifique que há um limite no número de entrevistadores/cinegrafistas/fotógrafos e não force a criança a descrever situações traumáticas. Entrevistar crianças e adolescentes exige cautela e sensibilidade.

4. Não discrimine a criança escolhida para a entrevista por critérios de sexo, raça, idade, religião, classe social, nível educacional ou deficiência.

5. Evite estereótipos ou abordagens sensacionalistas. Não peça para a criança encenar ou falar sobre o que não aconteceu.

6. Evite descrever acontecimentos que a exponha a estigmas ou represálias pelo família ou comunidade.

7. Não publique relatos ou imagens que possam colocar a criança, ou a família, em risco. O Brio já deu orientações sobre uso de imagem neste post.

8. Se alguma organização quer representar, ou se proponha a fala em nome do interesse da criança ou do adolescente, verifique as credenciais dessa instituição.

9. Contextualize o problema da história, evite dramatização de um caso particular. Falamos sobre isso neste post do Brio.

Em tempo, este texto complementa o post em que o Brio deu dicas de como dominar a arte da entrevista. Nele, Ricardo Ballarine lembra de um importante ckecklist que todo jornalista precisa fazer antes da entrevista. Entre os itens fundamentais, bloco, canetas, gravador digital e celular carregado.

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Bruna Teixeira
Apaixonada por jornalismo, acredita na profissão como uma ferramenta de transformação social e pessoal. Entusiasta do jornalismo digital e com vivência em marketing digital, Bruna já passou pela redação da BandNews FM, Rede Massa, e também pela Gazeta do Povo – onde contribuiu para a apuração da série “Crime Sem Castigo”, vencedora do Esso em 2013. Fale com ela pelo [email protected]