18 instruções jornalísticas para cobrir suicídio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o suicídio um problema sério de saúde pública e, por isso, criou um manual para cobertura desses casos. É importante que a mídia faça uma cobertura cuidadosa ao noticiar o assunto – principalmente se pensamos que o Brasil está em oitavo lugar no ranking global deste tipo de morte.

A disseminação apropriada da informação e o aumento da conscientização são elementos essenciais para o sucesso dos programas de prevenção, afirma o manual. O documento compila também a influência da mídia na sociedade pela ampla gama de informações, influenciando atividades, crenças e o comportamento das pessoas. 

Em 2004, Renan Antunes de Oliveira venceu o Prêmio Esso com a reportagem “A tragédia de Felipe Klein“. Além de ser mentor do Brio, ele foi entrevistado por Júlio Lubianco para o Podcast do Brio.

Confira as diretrizes indispensáveis para jornalistas, de acordo com a OMS:

6 instruções do que fazer quando cobrir suicídio

  1. Trabalhar em conjunto com autoridades de saúde na apresentação dos fatos.
  2. Referir-se aos casos de suicídio como “consumado”, não como “bem sucedido”.
  3. Apresentar somente dados relevantes, em páginas internas de veículos impressos.
  4. Destacar as alternativas ao suicídio.
  5. Fornecer informações sobre números de telefones e endereços de grupos de apoio e serviços onde se possa obter ajuda.
  6. Mostrar indicadores de risco e sinais de alerta sobre comportamento suicida.

6 instruções do que NÃO fazer ao cobrir suicídio

  1. Não publicar fotografias do falecido ou cartas suicidas.
  2. Não informar detalhes específicos do método utilizado.
  3. Não fornecer explicações simplistas.
  4. Não glorificar ou fazer sensacionalismo sobre o caso.
  5. Não usar estereótipos religiosos ou culturais.
  6. Não atribuir culpas.

6 instruções de como noticiar casos específicos

1. A cobertura sensacionalista deve ser evitada, especialmente em casos que envolvem celebridades. Minimize a cobertura, evite fotografias da cena e do método. Não coloque o assunto na primeira página.

2. A causa é uma interação complexa de vários fatores como transtornos mentais e doenças físicas, abuso de substâncias, problemas familiares, conflitos interpessoais e situações de vida estressantes. Escreva sobre isso.

3. O suicídio não deve ser mostrado como um método de lidar com problemas pessoais como falência financeira, reprovação em algum exame ou concurso ou abuso sexual.

4. As reportagens devem levar em consideração o impacto do suicídio nos familiares da vítima, e nos sobreviventes, em termos de estigma e sofrimento familiar.

5. A glorificação de vítimas de suicídio como mártires e objetos de adoração pública pode sugerir às pessoas suscetíveis que a sociedade honra o comportamento suicida. Ao contrário, a ênfase deve ser dada ao luto pela pessoa falecida.

6. A descrição das consequências físicas de tentativas não fatais (dano cerebral, paralisia etc), pode funcionar como um fator de dissuasão.

Para conferir o material completo, acesse: “Prevenção ao suicídio: um manual completo para profissionais de mídia“.

Conheça materiais sobre o assunto:

Debate sobre suicídio na mídia e no jornalismo

Recentemente, a série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix, trouxe um debate caloroso para os veículos de comunicação ao abordar de forma intensa o suicídio consumado pela protagonista Hannah Baker. A série está disponível no streaming e a terceira temporada já está sendo produzida.

Em 2010, foi publicado no Observatório da Imprensa o artigo “O suicídio na pauta jornalística”, escrito pela jornalista Carolina Grando com argumentos sociológicos sobre o tema. Vale a leitura!

Recentemente, a psicanalista e jornalista Amanda Mont’Alvão Veloso publicou no HuffPost um texto sobre o porquê não falamos sobre o tema, com dados recentes e uma análise mais aprofundada do assunto. Recomendamos!

Análise sobre ética e noticiabilidade nas mortes de Getúlio Vargas e Vladimir Herzog foi feita por alunos da Universidade Estadual de Londrina (PR) e publicado pelo Intercom Junior.

O Ministério da Saúde produziu um manual para profissionais da saúde mental orientando a prevenção ao suicídio.

Tem interesse por jornalismo freelancer?

Além de ter produzido uma reportagem ímpar investigando um caso de suicídio, Renan Antunes de Oliveira é um caçador de histórias. Ele larga tudo, até o emprego, por uma boa história. Contrate a mentoria dele por aqui.

Bruna Teixeira
Apaixonada por jornalismo, acredita na profissão como uma ferramenta de transformação social e pessoal. Entusiasta do jornalismo digital e com vivência em marketing digital, Bruna já passou pela redação da BandNews FM, Rede Massa, e também pela Gazeta do Povo – onde contribuiu para a apuração da série “Crime Sem Castigo”, vencedora do Esso em 2013. Fale com ela pelo [email protected]