Jornalistas mineiras lançam Campanha Libertas para cobrir candidaturas de mulheres

Um grupo de jornalistas mineiras lançou um projeto de cobertura das eleições focado nas candidaturas de mulheres. O ponto de partida é a Campanha Libertas, crowdfunding que já está no ar destinado a financiar a iniciativa.

A proposta inclui reportagens especiais e debates. O grupo é formado por jornalistas feministas de Minas — atualmente, são 20 colaboradoras envolvidas com a Libertas, 11 delas com maior participação: Bárbara Ferreira, Cinthia Ramalho, Daniela Maciel, Graziele Martins, Isabella Lucas, Joana Suarez, Juliana Baeta, Letícia Silva, Luiza Muzzi, Stéphanie Bollmann e Thaíne Belissa.

O perfil das profissionais é amplo. Muitas passaram por Redações dos grandes jornais de Belo Horizonte e também por assessorias de imprensa. Para dar conta da empreitada, há jornalistas com experiência em reportagem, edição, vídeo, fotografia, design, marketing, cinema, sociologia e história.

A ideia foi inspirada no projeto Adalgisas, criado pela agência Marco Zero, de Pernambuco. Joana Suarez, uma das idealizadoras da Campanha Libertas, percebeu o espaço aberto para trabalhar o tema e marcar posição em Minas Gerais. “O projeto nasce de um engajamento que todas nós temos com o feminismo, a nossa demanda por mais igualdade. Como jornalistas, vimos que podemos contribuir muito para que mais mulheres sejam eleitas em 2018, dando mais visibilidade às candidatas e mostrando em pautas que representatividade importa”, diz a jornalista.

A experiência na produção jornalística levou as jornalistas a perceberem que as pessoas deixam de votar em mulheres por desinformação e desconhecimento.

O trabalho será focado em Belo Horizonte e na região metropolitana da capital mineira. O grupo de colaboradoras, entretanto, pode atuar também “na fiscalização do fundo partidário e monitoramento da propaganda eleitoral”, segundo Suarez.

Campanha Libertas vai promover rodas de conversa

A campanha no Catarse vai financiar a produção de reportagens especiais, a criação de mapa interativo com os perfis de todas as postulantes à uma vaga nos cargos de Minas e uma roda de conversa com candidatas, entre outras ações.

O conteúdo será publicado em um site e nas redes sociais da Campanha Libertas e poderá ser reproduzido por outros veículos gratuitamente.

A meta é arrecadar R$ 12 mil, no esquema tudo ou nada. Se o objetivo não for atingido, o grupo não terá condições de trabalhar na proposta. “Esse valor é um mínimo que precisamos para não termos que tirar dinheiro do bolso, mas não vamos ganhar quase nada. Por isso, se não atingirmos não teremos como fazer. Seria pagar para fazer (acontecer) e acreditamos que esse projeto merece apoio”, diz Suarez.

Por enquanto, o foco está nas eleições e nas candidaturas das mulheres. “Acredito muito nesse caminho, quero poder fazer outros projetos. Já tenho algumas ideias, inclusive.”

Se você quiser ser uma colaboradora da Campanha Libertas, mande um email para [email protected] O projeto é de mulheres, mas, segundo Suarez, “todos são bem-vindos para colaborar com o que puder contribuir”.

Leia a seguir depoimento de Joana Suarez, que também é cliente do BRIO.

Ganhamos todas!

Desde que me aventurei no jornalismo independente, venho alimentando o sonho de reunir mulheres em torno de uma causa feminista e unir isso ao jornalismo. As eleições tornaram-se o momento perfeito. Mais do que nunca as mulheres querem o espaço delas, não aceitam mais serem representadas pelos homens no poder. Para corrigir uma disparidade histórica na política, o que as candidatas mais precisam é de visibilidade. É aí que nós, jornalistas, podemos ajudar. Fazer isso somando força feminina começa sendo uma conquista.

Estamos há pouco mais de duas semanas trabalhando no projeto da Campanha Libertas, descobrindo como fazer um financiamento coletivo, doando tempo e dedicação: quando uma não pode, outra pode… onde uma não sabe, outra sabe. Percebemos, então, que já deu certo. O grupo que iniciou com quatro foi ganhando mais, e logo chegou a 20 colaboradoras e continua agregando. São mulheres — jornalistas — que querem dar voz a outras mulheres — candidatas — para tornar possível uma sociedade que olhe mais para as mulheres — todas elas.

O caminho para chegar à meta de R$ 12 mil e o que vamos fazer depois, durante as eleições, são apenas amostras de que o sistema que está aí imposto encontra-se em reconstrução. E tem muita gente nessa caminhada: são vários coletivos feministas pelo Brasil em busca de igualdade de direito e oportunidade. Acredito cada vez mais na união das mulheres e no jornalismo colaborativo e nas duas coisas juntas.

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Você tem algum projeto e precisa de orientação para colocá-lo de pé? O BRIO Sprint pode ajudar você a construir e transformar sua ideia em algo real.

Ricardo Ballarine
Ricardo é entusiasta de um jornalismo inovador e que explora todas as possibilidades narrativas. Dedicou parte da carreira a treinar e capacitar jornalistas. Paulista de origem, hoje vive em Belo Horizonte (MG). Não só tem fé no jornalismo como acredita que ainda há um caminho imenso a ser explorado. Fale com ele no [email protected]