14 livros sobre futebol que ajudam a entender o esporte

Vamos direto ao ponto, pois a Copa do Mundo da Rússia já vai começar. Para embalar os 30 dias de competição, o BRIO preparou uma lista de livros sobre futebol que ajudam a enxergar a importância do esporte além do hino nacional cantado por 11 marmanjos de olhos marejados na beira do campo.

A seleção tem crônica, romance, investigação, biografia, ensaio e análise tática. São 14 livros sobre futebol que formam um cardápio que vai interessar ao fã, a quem chega de última hora embalado pelo início da Copa ou a quem gosta de boas histórias.

A eles.

O Trauma da Bola

A seleção de 1982 era cotada não só para ser campeã do mundo na Espanha, mas também para ser o maior time de todos os tempos. Mas, no caminho, havia um Paolo Rossi e seus três gols que eliminaram o time de Zico, Sócrates, Falcão e companhia. Este livro reúne crônicas de João Saldanha, um dos textos mais precisos e ferinos do jornalismo esportivo, escritas desde preparação do grupo até a eliminação, no fatídico 5 de julho, em Barcelona. Ele não fica somente a elogiar o timaço, mas expõe problemas e lamenta a derrota. Da Cosac Naify.

Como o Futebol Explica o Mundo

Franklin Foer entrega um trabalho investigativo ambicioso. Para tentar entender a força do futebol no planeta, ele viajou a países como Itália, Irã e Brasil, entre outras dezenas, a fim de perceber como o esporte se relaciona com economia, política e relações sociais. O que faz esse livro especial é que Foer usa personagens únicos em cada país visitado: hooligans, mulheres em países religiosos, um filho de uma judia com nazista e, claro, os cartolas brasileiros. Da Zahar.

Tática Mente

Paulo Vinícius Coelho é conhecido por ser o maluco por números e estatísticas. Cria relações impensáveis — quantas vezes um time fez gol até os 15 minutos quanto enfrentou um adversário na casa dele jogando com o segundo uniforme, algo nessa linha. Mas também é um exímio observador de táticas. Neste livro, o jornalista explica as Copas do Mundo por meio das táticas que revolucionaram o futebol. Com exemplos ilustrados e bem explicados, PVC mostra como a Holanda, o Brasil de 70 e outras seleções inovaram com estratégias e escalações que mudaram a história. Da Panda Books.

Tite

Ele chegou ao comando da seleção brasileira em um momento delicado. Teria que substituir um dos técnicos mais medíocres da história, Dunga, que havia deixado o time numa posição ameaçadora: era real a possibilidade de não se classificar para a Copa. Tinha o escândalo da Fifa, que atingiu em cheio da CBF. Tite chegou e mudou a história ao transformar a herança do 7 a 1 em um time candidato ao título mundial na Rússia. Camila Mattoso ouviu mais de 80 pessoas para escrever esta biografia do técnico. O livro mostra quais são as obsessões do treinador, suas estratégias e a relação com a CBF. Da Panda Books.

O Drible

Aqui, caímos na ficção. Sérgio Rodrigues, autor de “Viva a Língua Brasileira” e “Elza, A Garota”, recria um dos mais famosos lances da história do futebol mundial: o drible de Pelé no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, na Copa de 70. São seis páginas que abrem o romance, para resumir os nove segundos do lance (assista aqui). É o ponto de partida para a história de Murilo, cronista das antigas que escreve um livro sobre Peralvo, que poderia ter sido maior do que Pelé. Com múltiplas vozes, o livro abre também espaço para Neto, o filho do jornalista que não teve uma vida saudável com o pai e vive de forma medíocre. Nessa espécie de acerto de contas, as histórias do futebol se somam a segredos da época da ditadura. Da Companhia das Letras.

Quando É Dia de Futebol

“Confesso que o futebol me aturde, porque não sei chegar até o seu mistério.” Carlos Drummond de Andrade escreve sobre essa incompreensão, mas que revela também paixão e interesse especial. Em crônicas e poesias, o autor mineiro transforma o futebol em objeto a ser explorado pelo seu olhar único. Drummond escreve sobre o futebol em Minas, as Copas de 54 a 86, Pelé e Garrincha, mas também sobre peladas, a vida que segue em torno do esporte. Da Companhia das Letras.

Os Sem-Copa

Todos se lembram dos jogadores que foram à Copa, principalmente daqueles que participaram de campanhas vitoriosas e que muitos não entendiam o motivo de estarem lá — Paulo Sérgio, Bismarck, Elzo e outros são exemplos dessa mania de técnicos de convocar nomes duvidosos. Pois Clara Albuquerque resolveu contar a história de jogadores que não foram às Copas, mas com um recorte específico: somente craques. O livro não fica apenas na lembrança e traz os motivos pelos quais nomes como Alex, Heleno de Freitas, Oberdan Catani, Friedenrich, Evaristo e Dener não foram chamados. Da Maquinária.

Entre os Vândalos

Os hooligans ingleses são considerados como uma categoria à parte entre torcidas fanáticas. Regados a vários litros de cerveja, eles viajam pela Inglaterra e Europa atrás dos seus times e nem sempre de forma pacífica. Já houve um tempo pior, até fins dos anos 80, época em que o comportamento violento provocou mortes e tragédias em estádios. Bill Buford investigou esse fenômeno do melhor jeito possível: infiltrou-se por quatro anos em torcidas. Comeu, bebeu, viajou e entrou nos estádios com esses hooligans para entregar um reportagem que também funciona bem como estudo sociológico. Da Companhia das Letras.

Febre de Bola

Nick Hornby ficou famoso por ter escrito “Alta Fidelidade”, o livro que transformou o ato de fazer listas em mania mundial. Mas a história começa antes, com este romance que pode ser lido como reunião de crônicas. Além de fã de música pop, o escritor é torcedor do Arsenal, mas não daqueles que assiste pela TV aos gols. Hornby vai aos jogos, viaja atrás do time, canta nos estádios e sofre com a falta de títulos. Cada capítulo é encabeçado por um jogo do time, recheado de referências pop, música e suas relações afetivas que o acompanham por 24 anos. Da Companhia das Letras.

Veneno Remédio

Para entender o Brasil, é preciso entender o futebol também. É o que faz José Miguel Wisnik neste ensaio. Para ele, o esporte não é reflexo da sociedade nem se desenvolve à margem dela, como se estivesse desassociado. Então, ele cria um diálogo entre Pelé, Romário, o drible e um lançamento com as vozes que ajudam a explicar o país, como Machado de Assis, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior. Da Companhia das Letras.

Política, Propina e Futebol

A Fifa sucumbiu há três anos com as denúncias de corrupção investigadas pelas polícias da Suíça e dos Estados Unidos. Joseph Blatter, o então presidente da entidade máxima do futebol, saiu de cena e um monte de executivos foi preso, entre eles, José Maria Marin, o chefão da CBF em 2015. Jamil Chade escreveu uma reportagem que mostra como a Fifa pagava e recebia propinas, como eram feitos os contratos comerciais de TV e merchandising. Cai no Brasil e na então Copa mais cara da história — já superada pela Rússia. Da Objetiva.

Pelada: Uma Volta ao Mundo pelo Prazer de Jogar Futebol

Basta um espaço razoável, quatro chinelos, uma bola e um punhado de moleques para que esse cenário se transforme em um estádio de futebol. No Brasil, a pelada é basicamente uma instituição. Mas não só aqui. É o que a ex-jogadora e escritora Gwendolyn Oxenham mostra no livro que retrata suas viagens por 25 países. Por três anos, ela observou peladas em praias, ruas, parques e prisões. No Brasil, foi a Santos. Viu judeus e palestinos disputarem uma partida em Jerusalém e enfrentou os muros de uma prisão boliviana. Às vésperas de mais uma Copa, toda profissionalizada, ler sobre essas peladas é um contraponto que mostra como o esporte é mais do que o padrão Fifa. Da Zahar.

O Negro no Futebol Brasileiro

Não há lista sobre futebol que não inclua esse livro escrito por Mario Filho, autor que deu nome ao Maracanã. Não sem motivo. Ele escreve sobre futebol, ídolos como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, mas, principalmente, trata de como o negro se insere na sociedade por meio do esporte. Essa construção de uma identidade nacional, forjada pelos pés de craques e outros nem tanto, mostra como o preconceito foi quebrado com a profissionalização do futebol — o amadorismo era limitador para os negros. Da Mauad.

A Perfeição Não Existe

Tostão é uma das vozes mais lúcidas da crônica esportiva. Nesta seleção de seus textos, emerge o ex-jogador que entende o futebol como poucos. Ele não se prende ao saudosismo para falar de nomes como Pelé e Rivellino, mas cria relações únicas desses craques com nomes atuais, como Neymar. E, para ele, o futebol não é só no campo. Ele observa o marketing, a violência, o culto a jogadores celebridades, o ufanismo com a mesma potência que entrega um comentário sobre determinado jogo. Da Três Estrelas.

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 Quer ser acompanhado por um mentor que é especialista em esporte? O BRIO tem na lista da Mentoria Premium o Mauro Cezar Pereira, comentarista da ESPN Brasil, e o Renan Prates, do Torcedores.com. 

Ricardo Ballarine
Ricardo é entusiasta de um jornalismo inovador e que explora todas as possibilidades narrativas. Dedicou parte da carreira a treinar e capacitar jornalistas. Paulista de origem, hoje vive em Belo Horizonte (MG). Não só tem fé no jornalismo como acredita que ainda há um caminho imenso a ser explorado. Fale com ele no [email protected]