12 termos que jornalistas nunca devem utilizar

A mídia tem papel importantíssimo na transmissão de informações e, por isso, deve utilizar termos corretos – principalmente quando se trata de crianças ou adolescentes, pessoas com algum tipo de deficiência, doença ou necessidade. Ao redigir e veicular uma matéria, é importante adotar termos adequados. Reforçar esteriótipos e preconceitos fazem parte de uma mídia irresponsável e que devemos evitar.

Para ajudar a produzir jornalismo relevante e responsável, separamos alguns termos apropriados que a Agência Nacional dos Direitos da Infância (Andi) indica que seja utilizado pela mídia.

Confira nossas 18 orientações para produzir uma boa reportagem que envolve crianças e adolescentes.

Termos utilizados quando se trata de crianças ou adolescentes:

termos corretos para se referir a crianças e adolescentes

1. Não se refira a eles como “menor” ou “moleque”. Ao invés disso use criança, menina, menino, garota, garoto, adolescente, rapaz, moça, jovem. O termo “menor” é discriminatório e reproduz o conceito de incapacidade.

2. Não use “menor infrator”. Substitua por adolescente em conflito com a lei ou adolescente autor de ato infracional. Também não use o termo “delinquente juvenil”, “trombadinha”, “pivete”, “marginal”. Nessa mesma linha, prefira adolescente que cumpre medida socioeducativa, adolescente responsabilizado ou adolescente internado no lugar de “punido” ou “preso”.

3. Não use “menino de rua”. O correto é criança em situação de rua. “Moleque de rua”, “trombadinha”, “moleque à toa”, “menor abandonado” e “menor carente” são termos que não devem ser utilizados. Seguindo esta linha, utilize também pessoas em situação de rua.

4. Use criança ou adolescente sem deficiência, ao invés de criança ou adolescente “normal”, o uso da palavra normal pressupõe que a pessoa com a deficiência seja anormal. O mesmo vale para pessoas sem deficiências, não utilize “pessoas normais”.

5. Use criança ou adolescente com deficiência, ao invés dos termos: “aleijado”, “defeituoso”, “incapacitado”, “inválido”, “portador de deficiência”. O mesmo vale para pessoas com deficiência.

Termos utilizados em situações de pessoas com algum tipo de deficiência:

Termos corretos para usar com pessoas com algum tipo de deficiência

6. Não utilize o termo “ceguinho”, use cego, pessoa cega, pessoa com deficiência visual ou deficiente visual. “Ceguinho” denota que o cego não é tido como uma pessoa completa.

7. Não utilize o termo “surdinho”, “mudinho” ou “surdo-mudo”. Substitua por surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva. Como anteriormente, trata-se de um termo pejorativo e que sugere que a pessoa surda não é completa.

8. O uso correto é criança com deficiência mental, não “criança excepcional” ou “doente mental”.

Termos corretos para pessoas com alguma doença ou necessidade:

9. Criança ou adolescente com Síndrome de Down, criança com Down, criança Down, em lugar de “mongolóide” ou “mongol”. Esses termos refletem o preconceito racial da comunidade científica do século XIX, explica a Andi.

10. O termo correto é criança com necessidades educacionais especiais ao invés de simplesmente “criança com necessidades especiais”. O segundo termo não especifica que tipo de necessidades a criança tem. Necessidades especiais é um termo tão amplo que se aplica em diversos casos, e não faz referência somente a crianças e adolescentes com algum tipo de deficiência.

11. Pessoa doente de Aids, pessoa soropositiva ou pessoa HIV positiva são termos melhores que “aidético”. Essa expressão traz consigo grande carga discriminatória, informa a Andi, e é equivocadamente utilizada para identificar tanto as pessoas cuja testagem de HIV teve resultado positivo, quanto aquelas que já apresentam sintomas de doenças associadas à Aids.

12. Use dependente químico ao invés de “drogado”. O termo é pejorativo e preconceituoso, trazendo a ideia de que a dependência química é algo proposital e que todos os dependentes fazem uso de drogas ilícitas.

Esquecemos algum termo? Tem alguma dúvida? Comenta aqui e ajude outros jornalistas na produção de um jornalismo responsável.

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Bruna Teixeira
Apaixonada por jornalismo, acredita na profissão como uma ferramenta de transformação social e pessoal. Entusiasta do jornalismo digital e com vivência em marketing digital, Bruna já passou pela redação da BandNews FM, Rede Massa, e também pela Gazeta do Povo – onde contribuiu para a apuração da série “Crime Sem Castigo”, vencedora do Esso em 2013. Fale com ela pelo [email protected]