10 livros que todo jornalista precisa ler

Todo jornalista deve ter sempre um livro por perto.

Clássicas ou novidades, as obras ajudam a escrever melhor, ampliar o vocabulário, além, é claro, de mostrar novas formas de compreender o mundo – seja ele real ou imaginário.

Para ajudar na seleção, criamos uma lista com 10 livros que todo jornalista precisa ler.

Confira:

1 – Fama e Anonimato, de Gay Talese

Companhia das Letras, 536 páginas, 2004

Como o próprio nome antecipa, o livro traz reportagens escritas por Gay Talese sobre famosos e anônimos. Entre os textos mais marcantes, está “Frank Sinatra está resfriado”, em que, embora não tenha conseguido entrevistar o músico, Talese escreve um perfil impecável. A obra tem textos que foram publicados em revistas como Esquire e The New Yorker. Uma aula de um dos pais do Jornalismo Literário.

2 – Hiroshima, de John Hersey

Companhia das Letras, 176 páginas, 2002

O relato das marcas das flores dos quimonos no corpo das japonesas após os bombardeios atômicos de Hiroshima, no Japão, é apenas um exemplo de quão atento foi John Hershey ao escrever o livro. Em Hiroshima, ele conta a história de seis sobreviventes da bomba que matou milhares de pessoas na cidade japonesa. O texto, que foi publicado em uma edição inteira da The New Yorker um ano após o bombardeio, conta como foi o dia da explosão.

3 – A Sangue Frio, de Truman Capote

Companhia das Letras, 438 páginas, 1965

Ao ler a notícia do assassinato de uma família na cidade de Holcomb, no interior do estado do Kansas, nos Estados Unidos, Truman Capote decidiu se dedicar à história do homicídio. Foi ao local do crime, entrevistou familiares das vítimas, policiais e os próprios assassinos, além de ler diários e cartas. O resultado? O livro – originalmente uma reportagem dividida em quatro partes e publicada na revista The New Yorker – que é considerado por muitos a primeira obra do jornalismo literário. Envolvente do início ao fim, Capote relata com detalhes o assassinato. Importante para os jornalistas pois mostra como uma simples notícia pode virar uma estrondosa reportagem.

4 – O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro

Companhia das Letras, 462 páginas, 1992

Nelson Rodrigues, jornalista, dramaturgo, romancista e cronista – entre muitas outras facetas –, é o retratado neste livro de Ruy Castro. A vida do pernambucano, tão surpreendente quanto a sua obra, foi relatada a partir de 125 entrevistas feita com seus familiares. A família de Nelson Rodrigues, aliás, aparece bastante no texto, uma vez que parte dela também é jornalista – o pai foi fundador do jornal “A Manhã”. O livro ajuda, ainda, a entender um pouco sobre como era a mídia na época

5 – A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio

Companhia de Bolso, 256 páginas, 1997

João do Rio, pseudônimo do jornalista Paulo Barreto, um dos primeiros jornalistas investigativos e literários do Brasil, rende homenagem à capital fluminense neste livro que reúne textos publicados na imprensa carioca entre 1904 e 1907. Composto por cinco partes (“A rua”, “O que se vê nas ruas”, “Três aspectos da miséria”, “Onde às vezes termina a rua” e “A musa das Ruas”), o livro mostra não só o Rio de Janeiro, como também seus personagens.

6 – Abusado — O Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos

Record, 560 páginas, 2003

Neste livro-reportagem, Caco Barcellos conta como era a vida do traficante Marcinho VP, dono do Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O jornalista aborda a ascensão e a queda do traficante – que no livro recebe o pseudônimo de Juliano -, contando sua interação com os outros moradores da favela, prisões, relacionamentos amorosos e fugas. Imprescindível para entender como funcionam algumas das facções do Brasil e como o tráfico acaba não sendo uma opção, mas, sim, falta de oportunidade.

7 – Todos os Homens do Presidente

Três Estrelas, 424 páginas, 2014

O Caso Watergate, que culminou na renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, em 1974, é a história contada neste livro. Nele, os jornalistas Carl Berstein e Bob Woodward relatam como foram feitas as reportagens publicadas no The Washington Post, dando detalhes de como se davam os encontros de Woodward e Garganta Profunda – a fonte do governo que passava as informações ao jornalista. Dois anos após ser publicado, o livro deu origem a um filme, estrelado por Robert Redford e Dustin Hoffman.

8 – Notícias de Planalto: a imprensa e Fernando Collor, de Mário Sérgio Conti

Companhia das Letras, 752 páginas, 1999.

Mário Sérgio Conti mostra, neste livro, como a imprensa brasileira abordou a ascensão e a queda de Fernando Collor. Notícias de Planalto foi escrito a partir de entrevistas de jornalistas e donos de veículos de comunicação, mostrando os bastidores da imprensa.

9 – Box Coleção Ditadura, de Elio Gaspari

Intrínseca, 2484 páginas, 2016.

A Ditadura Envergonhada”, “A Ditadura Escancarada”, “A Ditadura Encurralada”, “A Ditadura Derrotada” e “A Ditadura Acabada” são os cinco livros que compõem a série Ilusões Armadas, do jornalista Elio Gaspari. Fundamentais para entender como se deu a ditadura militar no Brasil.

10 – O Olho da Rua, de Eliane Brum

Arquipélago, 376 páginas, 2017

Uma das jornalistas brasileiras mais respeitadas, Eliane Brum apresenta, neste livro, 10 reportagens suas. Entre os destaques, a história de Ailce, uma merendeira que tem seus últimos 115 dias de vida acompanhados – e relatados – por Eliane. Com um texto sensível e impecável, a repórter conta, também, os bastidores dos seus escritos.

Lara Mizoguchi
Ama conhecer novas histórias e poder contá-las. É gaúcha e morou cinco anos no Rio de Janeiro, onde trabalhou no jornal Extra e com marketing digital. Atualmente, cursa um mestrado em Estudos Culturais, em Bordeaux, na França. Sua utopia é que o jornalismo seja capaz de transformar – para o bem – o mundo. Fale com ela no [email protected]
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